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Verdades Mentirosas

"Não é que eu seja mentiroso, eu não sou é verdadeiro."

Verdades Mentirosas

"Não é que eu seja mentiroso, eu não sou é verdadeiro."

Cristina Ferreira e o livro "Pra Cima de Puta"

15.11.20, o mentiroso

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A Cristina Ferreira agora de volta à TVI teima em continuar a ser notícia. Quer seja pela sua saída abruta da SIC; pela escolha "brilhante" e naaadaaa presunçosa de apresentar um programa com o seu nome durante UM DIA INTEIRO e mais recentemente por ter escrito um livro com um título no mínimo caricato e no qual ela, aparentemente (ou talvez não), vai revelar detalhes dos seus atribulados últimos tempos na televisão portuguesa.

O livro chama-se "Pra cima de Puta" porque.......bom, porque alguém na equipa de "marketing e publicidade" (ou quem sabe a própria Cristina) achou que era necessário recorrer a um trocadilho com linguagem "profana" para colocar o país inteiro a falar do livro na esperança que isso se traduza em muitas vendas. É muito provavelmente uma das estratégias mais vulgares e asquerosas de que há memória no mundo da publicidade e é no mínimo curioso que a Cristina Ferreira, uma mulher que tanto se queixou no passado dos títulos enganosos das revistas cor-de-rosa, recorra precisamente a essa estratégia de "clickbait".

Eu até gosto da Cristina Ferreira e acho que todos sabemos que ela pode ser muita coisa, mas "puta" ela não é com toda a certeza. Ela é uma excelente profissional; uma mulher que construiu uma carreira fantástica e uma marca com uma força inacreditável em território nacional; ela era até há muito pouco tempo querida por grande parte do país e parece-me ser também uma mulher que gosta de desafios.

A popularidade da Cristina Ferreira é estratosférica no nosso país, como tal ela é talvez a última figura pública portuguesa que necessita de recorrer a estratégias promocionais ignóbeis. Um pequeno trocadilho inteligente com algum humor à mistura seria o suficiente para que o seu novo livro fosse alvo de muita atenção. No entanto e vá-se lá saber porquê, a Cristina e os senhores que gerem a sua marca optaram mais uma vez pelo exagero.

Usar a palavra "puta" publicamente não é sinónimo de coragem e quanto mais não seja só tem valor humorístico quando utilizada no momento certo e na piada ideal. Todas as outras utilizações da palavra em público não são mais do que tentativas de mau gosto de quem procura chamar à atenção. Não é original, muito pelo contrário, é tão vulgar que é o tipo de trocadilhos que um grupo de amigos se lembra de utilizar no final de uma noite de muito álcool na "tasca da esquina".

Há quem diga que ela vai aproveitar o livro para revelar alguns detalhes sobre o que tem acontecido consigo nos últimos meses. Quem sabe, talvez o "braço de ferro" com a SIC seja alvo de um parágrafo especial ou, e permitam-me que sonhe um pouco, talvez neste livro a palavra "EU" não seja repetida uma única vez.

Eu gosto da Cristina mas ela tem de largar estas estratégias promocionais americanizadas que contrariam todos os valores que fizeram dela um fenómeno de popularidade em Portugal. A melhor estratégia talvez fosse sair temporariamente das luzes da ribalta e trabalhar apenas nos bastidores da TVI, deixar o público sentir a sua falta e eventualmente voltar com a simplicidade, boa disposição e humildade que fizeram com que o país se apaixonasse por ela.

E o mentiroso sou eu?