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Verdades Mentirosas

"Não é que eu seja mentiroso, eu não sou é verdadeiro."

Verdades Mentirosas

"Não é que eu seja mentiroso, eu não sou é verdadeiro."

O vírus da ignorância é bem pior do que o Covid-19

29.10.20, o mentiroso

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Há um vírus bem pior do que o Covid-19 e não existem neste planeta máscaras que cheguem para nos salvarem dele. A "ignorância" sempre foi e continuará a ser o vírus mais letal da história da humanidade. Ela propaga-se a uma velocidade sem precedentes há gerações e quando nós sentimos algum progresso no seu combate eis que uma pandemia nos revela que andamos a rumar sozinhos contra uma maré que parece ser cada vez mais imparável.

Há décadas que os principais epidemiologistas do planeta têm vindo a alertar para os perigos de uma pandemia à escala global. Há décadas que esses mesmos epidemiologistas escrevem artigos; dão entrevistas; fazem investigações e publicam livros nos quais, vejam bem isto, chegaram a apontar a China como uma origem muito provável dessa pandemia ou não fosse este o país mais populoso do planeta.

Há cinco anos atrás o Bill Gates protagonizou uma Ted Talk muito popular. O título em português: "O próximo surto? Nós não estamos preparados"

Há cinco anos atrás...

Bill Gates era só um entre muitos que revelava a sua preocupação, a grande diferença é que o co-fundador da Microsoft consegue "virar algumas cabeças", já os epidemiologistas, esses só são ouvidos quando já é tarde demais.

Naturalmente os livros e estudos publicados; as inúmeras entrevistas; investigações; trabalhos académicos E SABE DEUS MAIS O QUÊ, resultaram em informação valiosa que no entanto foi prontamente ignorada pelos governos e pela generalidade da população. Nem sequer os surtos epidérmicos que antecederam a pandemia actual serviram de aviso e hoje cá estamos nós em plena pandemia completamente impreparados para conseguirmos lidar com ela.

Porquê?

Os governos são certamente responsáveis porque toda esta impreparação não aconteceu por falta de aviso. Pode ter acontecido por ignorância; por incompetência ou simplesmente por culpa da estupidez humana, mas por falta de aviso é que não foi! E nós por cá vamos ficando revoltados, criticamos os governos que não obstante de terem uma grande responsabilidade não são de todo os únicos que a têm.

Nós próprios fomos negligentes; nós próprios descurámos as regras de distanciamento social; nós próprios não usamos máscaras da forma correcta; nós próprios criámos movimentos que, IMAGINE-SE, são contra medidas contribuem para o abrandamento do número de infeções; nós próprios escolhemos negar o vírus e optamos por considerá-lo inofensivo e nós próprios deixamos que a ignorância tome por completo conta dos nossos intelectos. E enquanto perdermos tempo valioso a ceder ao que eu considero ser uma estupidificação extrema, mais pessoas morrem todos os dias desnecessariamente.

Um vírus já é um agente infeccioso imparável mesmo quando temos todos os cuidados e mais alguns, agora imaginem o que acontecerá quando nós decidimos que estamos cansados de usar máscaras; ou que já não aguentamos estar fisicamente distanciados dos nossos amigos; imaginem o que acontece quando conscientemente nós decidimos ignorar as indicações de quem dedicou a sua vida a estudar este tipo de fenómenos?

Uma grande merda é o que acontece.

O número de infectados tem vindo a aumentar a um ritmo que o sistema de saúde simplesmente não consegue acompanhar. Dentro dos grupos mais vulneráveis já muitos pereceram e mais vão ter o mesmo destino. Famílias vão perder os seus familiares mais cedo do que era suposto, muitos nem sequer terão a oportunidade de se despedirem convenientemente deles. E se é verdade que um vírus tem sempre uma progressão imparável por mais obstáculos que lhe coloquemos à frente, também é verdade que se lhe "estendermos uma passadeira vermelha" os seus estragos serão consideravelmente maiores.

E o mentiroso sou eu

As perpetuação da estupidez e do exagero nas redes sociais

26.10.20, o mentiroso

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A história das redes sociais até teve um início auspicioso. Encontrar familiares perdidos; falar com amigos que estão do outro lado do planeta; partilhar informações revelantes e até encontrar uma cara-metade é absolutamente fantástico. No entanto assim que "os idiotas" e as grandes corporações se aperceberam do imenso poder do "social online", tudo mudou.

Hoje o propósito da rede social foi completamente adulterado com grande parte da população a recorrer a elas para massajar o seu ego. Como consequência as mentiras nunca se propagaram tão rápido e a ignorância é tão celebrada que mais parece ser uma nova religião.

Eu tenho pessoas amigas que todos o santo dia partilham fotografias nas suas redes sociais. Fotografias de quem ou do quê?

Boa pergunta! Na maior parte das vezes, fotografias delas próprias!

Fotografias ao acordar; fotografias a dar de comer aos filhos; fotografias com os animais de estimação; fotografias sem maquilhagem; com maquilhagem; do carro; do jardim; de uma borboleta no jardim; fotografias no supermercado e.....a sério, isto não é tudo excessivo?

É uma incessante busca por aprovação, uma constante necessidade de se ter o ego BEM massajado. Pouco importa se essa aprovação é genuína e aliás, pouco importa se essa aprovação é concedida por desconhecidos que não nos dizem absolutamente nada, o que importa é que alguém algures valide as nossas ações por mais estúpidas que elas sejam.

Há uns bons anos atrás a exposição excessiva era vista como prejudicial, quando não existiam redes sociais nós só mostrávamos fotografias dos nossos álbuns de fotos a quem deixávamos frequentar a nossa casa. Aliás esse acto em si era visto como um voto de confiança, algo do género:

"eu gosto tanto de ti que sinto que posso partilhar contigo momentos importantes da minha vida"

Hoje pelo contrário vivemos numa realidade em que a exposição excessiva é encarada com normalidade, como se fosse normal publicar centenas de fotos privadas numa rede social que é completamente pública; como se fosse normal mostrar fotografias de todos os cantos da nossa habitação; como se fosse normal mostrarmos fotografias detalhadas de todos os nossos bens; como se fosse normal expormos os nossos próprios filhos naquilo que é essencialmente um website na Internet.

  • O que é o anormal então?

O anormal é aquele que não tem redes sociais, aquele que escolhe não expor os seus pensamentos mais obscuros num fórum de opinião pública e aquele que prefere que a sua vida privada permaneça, lá está, PRIVADA!

E o mentiroso sou eu?

 

Como uma vencedora do Big Brother vence na vida real

16.10.20, o mentiroso

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O mundo dos "reality shows" está recheado de pessoas que procuram fama fácil mas existem algumas excepções de pessoas que procuram algo muito mais significativo, o crescimento pessoal e uma vida de sucesso.

Casos de sucesso como o do popular pasteleiro Marco Costa ou a empreendedora Liliana Filipa já nos tinham mostrado que é possível "descolar" do estereótipo negativo de ex-concorrente de um "reality show" e agora é a vencedora do Big Brother 2020, Soraia Moreira, que começa a dar os seus primeiros passos nesse sentido.

Recentemente a Soraia entrevistou Hassan Morshedy que é o CEO da Memaar Al Morshedy, a tal companhia que está a construir o maior edifício residencial do mundo no Egipto.

São cerca de 40 minutos de uma entrevista inspiradora que não só ajuda a solidificar a posição da Soraia como uma boa entrevistadora e acima de tudo revela que ela tem uma enorme margem de progressão e pode vir a ser um talento muito sério no mundo da comunicação.

Aqui fica a entrevista:

E o mentiroso sou eu?

O estado da televisão generalista e a sua previsível morte

04.10.20, o mentiroso

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Fala-se muito da televisão portuguesa devido “às grandes transferências” e principalmente ao retorno da Cristina Ferreira à TVI. Mas sejamos francos, é de televisão generalista que estamos a falar e essa já não é “grande espingarda” há muito tempo.

O que é hoje em dia a televisão generalista?

Programas da manhã deprimentes que popularizam “pérolas” da música nacional como a Maria Leal. Programas da tarde que dedicam a maior parte do seu tempo à exploração de sofrimento alheio. Telejornais estupidamente longos, tão longos que mais parece não existirem canais que dedicam todo o seu tempo precisamente a notícias. Um “bombardeamento” inacreditável de telenovelas que a única coisa positiva que têm é o facto de garantirem emprego a muitos actores portugueses que mereciam melhor.

Háaa já me estava a esquecer, o abominável “ligue para o 760...″.

Existem coisas boas na televisão generalista, mas quando são realmente boas acabam relegadas para segundo plano (RTP 2) com orçamentos cada vez mais reduzidos.

Repete-se por aí muitas vezes a “corrida pelas audiências” que no fundo é uma corrida protagonizada por dois participantes. De vez em quando há um terceiro que se intromete mas isso acontece tão poucas vezes que a sua participação é quase irrelevante. SIC e TVI lutam entre si, a que perde fica em segundo lugar, a que ganha fica em primeiro e ambas partilham o pódio. Mesmo quando a terceira se intromete não há problema, também há espaço no pódio para ela.

De um lado a SIC reclama as maiores audiências, do outro a TVI faz exactamente o mesmo mas todos sabemos que melhorias substanciais no conteúdo de ambas é coisa rara.

A SIC fez um esforço, por exemplo a estação mudou o paradigma dos participantes em “reality shows” revelando na primeira temporada do “Casados à Primeira Vista” que pessoas normais ainda são interessantes, carismáticas e capazes de proporcionar bons números nas audiências. Para a SIC isto foi o principio da recuperação de audiências que veio consolidar-se com a entrada de Cristina Ferreira na estação.

Agora que a Cristina regressou à TVI “para a salvar”, a SIC parece continuar determinada a seguir o plano original. Honestamente, não é algo que me agrade muito, não sou grande fã da programação da SIC que não é assim tão diferente da TVI, mas sinto-me forçado a reconhecer que pelo menos o caminho traçado pela SIC parece respeitar muito mais a inteligência do telespectador. Já é tarde para se “ver uma luz ao fundo do túnel” (na minha opinião claro) mas ainda há uma esperança de que pelo menos a última caminhada da SIC seja tão memorável como seu nascimento.

Sobre a TVI creio que de nada vale pronunciar-me. Estamos a falar de um canal de televisão cuja estratégia mais recente passa por dar um enorme protagonismo à sua cara mais popular, rotulá-la de “salvadora” e esperar que a sua “revolução” na programação seja capaz de fazer milagres. Não tenho nada contra a estratégia, o meu problema está mais relacionado com a forma disparatada com que tanto a TVI como a própria Cristina Ferreira comunicam essa estratégia.

Nem me façam falar sobre o que raio de mensagem transmite um programa chamado “Dia de Cristina” que dura O DIA INTEIRO, porque de simplicidade e humildade não é de certeza.

Já agora e defendendo um pouco não só a Cristina mas todos aqueles que tomam as decisões importantes no que à programação de entretenimento diz respeito. É difícil efectivar-se mudança quando não há “tomates” para arriscar em algo melhor. Podemos acusar a Cristina de recentemente ter comunicado de uma forma um tanto ou quanto arrogante mas que ela tem mais “tomates” do que alguns (não todos) dos homens e mulheres que geriram o entretenimento na televisão portuguesa ao longo dos anos, lá isso ela tem.

O problema é que a televisão generalista tal como nós a conhecemos está a perecer, cada vez mais a sua credibilidade vai-se desvanecendo, o profissionalismo vai deixando de ser uma característica definidora e a classe de outros tempos está na sua grande maioria extinta. O telespectador moderno está mais consciente; informado; educado; tecnológico e é por isso que serviços como a Netflix, onde ele pode ver o que quiser e bem entender, são cada vez mais populares.

Mas "eles” estavam todos à espera do quê?

Não se pode insultar infinitamente a inteligência de alguém sem que mais cedo ou mais tarde essa pessoa decida “mandar à merda” quem a insulta.

"E o mentiroso sou eu?"

Cristina, a malta está a começar a ficar farta de ti...

04.10.20, o mentiroso

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Cristina Ferreira é a grande recontratação da TV portuguesa e, segundo a própria, esta será uma “nova era da Cristina” cheia de novidades. Em jeito de celebração ela protagonizou uma capa “extraordinária” na sua própria revista e um pouco por todo o país repete-se a frase: “epá, já estou a ficar farto da Cristina”.

Ela foi capa da sua própria revista (o que é sempre uma excelente ideia); foi destaque um pouco por toda a imprensa (menos na SIC por razões óbvias) e com a chegada de Setembro foi, à semelhança do que aconteceu na SIC, entrevistada no remodelado Jornal da Noite da estação.

Como já costuma ser hábito na televisão generalista, todos os protagonistas bateram em uníssono palmas uns aos outros (porque não há coisa mais bonita e altruísta do que fazer isso em televisão...) e afirmaram que este novo estúdio da TVI é tão extraordinário, mas tão extraordinário que eles até vão aproveitar para fazer, imagine-se, jornalismo!

 Ora nada melhor do que uma grande entrevista à Cristina Ferreira para começar esse fantástico trabalho não é?

 Pois bem, a Cristina aproveitou o tempo de antena para revelar que tem muitas novidades e que a seu devido tempo serão reveladas porque ela gosta de surpresas (creio que a TVI e a SIC já sabem isso).

Ela também aproveitou para revelar um detalhe sobre “O Dia De Cristina” que segundo ela “será sobre o que ela quiser”. Lá está, mais uma coisa muito bonita e que deve ser dita e repetida vezes sem conta em televisão. É a velha história do "eu, eu, eu...":

O programa vai ser sobre o que EU quiser! Porque EU é que decido e nem sequer existe uma equipa que me aconselha com informação para que EU possa tomar as melhores decisões possíveis. Ok, a equipa até existe mas EU é que mando nela e como tal EU meto no meu programa o que EU quiser. (isto é uma paródia obviamente)

Eu gosto da Cristina e é por isso que tudo isto me custa. Mas que raio de comunicação é esta? Quem é que está a aconselhar a Cristina?

Olha “tininha” nós queremos o teu nome lá fora e na cara das pessoas. Não tenhas receio, valoriza-te à bruta ao ponto que as pessoas vão ficar um pouco enjoadas e já agora, promete mundos e fundos aos telespectadores. Haaa é verdade, Cristina faz também uma capa na tua revista Cristina com a Cristina na capa, está bem Cristina? Espera não te vás já embora, não te esqueças de repetir “era da Cristina” nas entrevistas e já agora, faz também um programa sobre ti Cristina, algo que tenha o nome Cristina e que não dure assim muito tempo, UM DIA INTEIRO chega! TU ÉS A MELHOR! FORÇA!

Brincadeiras à parte, este tipo de comunicação é talvez vulgar; desinteressante e atrevo-me a dizer também, muito pouco inteligente. Sim é importante que uma mulher se valorize e acredite em si própria, mas se é de televisão que estamos a falar, também é importante que não se transmita a imagem de arrogância ou falta de humildade. Desnecessário se tivermos em conta que todo o país já sabe HÁ MUITO TEMPO que a Cristina é inteligente; uma brilhante mulher de negócios e alguém que de facto tem muito valor. Ou seja, é COMPLETAMENTE desnecessário a própria Cristina reforçar essa mensagem. Em comunicação quando a mensagem é transmitida com sucesso, recebida com sucesso e descodificada com sucesso não há motivos para a repetir 75 mil vezes! Até porque a mensagem não vai ficar 75 mil vezes melhor mas sim 75 mil vezes pior.

Porquê tantas promessas?

Vamos ter um Big Brother revolucionário!

De revolução esta nova edição do Big Brother só tem o nome. Revolução descreve melhor a edição anterior, quanto mais não seja pelos gritos descontrolados do Cláudio Ramos a chamar por uma concorrente logo na gala de estreia. Foi uma revolução porque apesar de todos conhecermos a potente voz histérica do popular apresentador, nuncao tínhamos visto num registo tão hilariante.

Já agora não nos podemos esquecer que por pior que nós achemos que o Cláudio foi na apresentação do programa, ele tinha sido confirmado como o apresentador desta tal “revolução” só para algum tempo depois ser “desconfirmado” porque “SETEMBRO É JÁ AMANHÃ!”.

O destino tem destas coisas, o Cláudio de facto teve inúmeros problemas na apresentação do programa, no entanto o seu registo foi uma novidade e até “revolucionário” porque não foi ignorado por ninguém (os que elogiaram e os que criticaram). Ele também teve a sorte de contar com um grupo de concorrentes absolutamente fantástico que ajudaram o programa não só a conquistar a liderança das audiências como a liderança nas redes sociais. As célebres causas deram que falar e também muito ajudaram as polémicas em torno da homofobia; descriminação; assédio; bullying e por aí fora. O BB20 foi revolucionário também pela casa e pela fantástica vista que curiosamente nesta edição que se descreve “revolucionária”, foi bloqueada.

A Cristina bem informou que é necessário tempo. Só espero que esse tempo seja utilizado para a criação de um projecto sólido para a TVI e não o habitual bombardeamento de telenovelas; programas da manhã que popularizam “Marias Leais”; programas da tarde que exploram tragédias e sofrimento alheio; passatempos da noite visitados ocasionalmente por celebridades que transbordam tanto de felicidade que até parecem ser personagens fictícias; galas de dança também protagonizadas por celebridades que dançam; programas de fim-de-semana que vão a 85 cidades diferentes e promovem a “brilhante e complexa” música pimba e no fundo, no fundo, toda a deprimência que em última instância é responsável pelo estado da televisão em Portugal.

É que se as pessoas estão fartas da Cristina agora, imaginem como elas ficarão se a “era da Cristina” não for tão memorável como ela própria tem vindo a prometer?

"E o mentiroso sou eu?"